O Discurso do Rei – Entrevista com Colin Firth
Posted by Ignês on jan 5, 2011 in Blog | 0 commentsQuando perguntado pela apresentadora Katie Couric, do programa CBS Evening News, se sabia alguma coisa sobre o rei George VI antes de fazer o papel do monarca britânico no filme “O Discurso do Rei”, o ator Colin Firth saiu-se com a seguinte evasiva: “Acho que a maioria das pessoas da minha geração não se preocupa muito com a família real, a menos que um grande acontecimento venha à tona.”
Para George VI — príncipe Albert ou simplesmente “Bertie” para sua família —, esse grande momento chegou em 1936, quando seu irmão, o rei Eduardo VIII, abdicou do trono para se casar com uma mulher duas vezes divorciada, Wallis Simpson. Enquanto a Inglaterra se preparava para a guerra, Albert se preparava para reinar, não sem antes enfrentar uma batalha mais pessoal: tentar conciliar suas atribuições de rei com uma severa disfemia (gagueira persistente) que o acompanhava desde a infância.
“Vê-lo lutando contra este problema é de cortar o coração”, diz Firth. “Chorei quando vi. É muito comovente, porque não é só a dificuldade, é a coragem com que ele lida com a dificuldade. Ele só vai lá e faz, bloqueia e segue adiante. Ele renasce do silêncio, que devia parecer uma eternidade para ele. E então algo em seu coração alivia ao ver que ele venceu o bloqueio, mas não demora 3 ou 4 palavras até aparecer outro bloqueio.”
A esposa do rei buscou a ajuda do fonoaudiólogo Lionel Logue, interpretado no filme por Geoffrey Rush. “Você olha para o personagem de Geoffrey Rush e pensa: ‘Oh, esse era o cara que eu precisava para mudar minha vida. Ele não desiste’”, diz Firth. “Se encontra um obstáculo, ele descobre um jeito de contorná-lo para tornar este homem mais acessível.” Por meio de seu trabalho com Lionel, o rei lentamente descobre sua força interior, num tempo em que sua nação mais precisava dele.
“Bertie fica fascinado e sente inveja da perigosa habilidade de comunicação de Hitler”, comenta Kouric a respeito de uma cena do filme em que o rei assiste a um vídeo gravado do ditador alemão. “Sabe, acho significativo na cena o fato de ele não entender o que Hitler está dizendo”, diz Firth. “Ele está certo da ameaça que Hitler representa, mas ele está na verdade mais concentrado no brilhantismo do discurso. E pensa: ‘E aqui estou eu, sem poder falar sequer duas palavras no microfone. E do outro lado está esse homem, usando a comunicação com os propósitos mais destrutivos, em um nível global’.” Firth traduz o pensamento do rei George nesse instante como: “Que chance eu tenho? Como seria se eu tivesse essa habilidade?”.
O que ajudou o rei foi uma improvável amizade, que o ensinou como ser ouvido. “É uma história sobre dois homens de coragem: um que não sabia o quanto era corajoso, e o outro que decidiu que tinha de encontrar todas as possíveis formas de alcançar essa coragem no rei”, diz Firth. “As pessoas sabiam que este homem estava enfrentando seus demônios toda vez que tinha que falar para elas. Acho que havia uma percepção de que era algo muito difícil para ele. E sua coragem foi admirada.”
Assista à entrevista legendada com o ator inglês Colin Firth
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