Destaques do Neuroscience 2010
Posted by Ignês on nov 22, 2010 in Blog, Destaques | 0 commentsNovos estudos demonstram que a comunicação requer a integração de um conjunto de processos e circuitos cerebrais mais complexo do que se imaginava anteriormente. Pesquisas divulgadas no Neuroscience 2010, o 40º congresso anual da SfN (Society for Neuroscience), trouxeram insights reveladores sobre distúrbios da comunicação como a gagueira.
San Diego, 16 nov. 2010 – Novos e importantes estudos sobre a comunicação humana foram divulgados no 40º encontro anual da SfN (Society for Neuroscience), realizado este ano em San Diego (Califórnia, EUA). Os dados dos estudos trouxeram informações reveladoras sobre a extensa rede de conexões utilizadas pelo cérebro em tarefas de comunicação e forneceram novos insights sobre como o cérebro produz e processa linguagem, fala, sons e sotaques.
As pesquisas também investigaram as diferenças existentes no cérebro de pessoas com dificuldades de fala e linguagem, como a gagueira, sugerindo novas e promissoras vias de tratamento. Todas as novas descobertas foram apresentadas durante a edição 2010 do Neuroscience, congresso anual promovido pela SfN, que é atualmente considerado a maior e mais importante fonte mundial de novidades sobre pesquisas relacionadas ao cérebro e à saúde mental.
A comunicação depende de uma série complexa de tarefas, que vão desde o processamento e a compreensão de sons até a produção de movimentos articulatórios organizados e sequenciados. Um melhor entendimento dos circuitos cerebrais envolvidos nessas tarefas pode beneficiar cerca de 900 milhões de pessoas no mundo todo que hoje sofrem de alguma deficiência de comunicação. Resumidamente, as pesquisas divulgadas no congresso Neuroscience 2010 mostraram que:
A rede de conexões cerebrais vitais para compreensão e produção de linguagem é mais extensa do que se acreditava anteriormente. Os pesquisadores identificaram novas vias neurais relacionadas à fala através do mapeamento de áreas de linguagem no cérebro de pessoas com e sem dificuldades de comunicação (Nina Dronkers, Ph.D., abstract 837.13, v. resumo no PDF em anexo).
Pessoas que gaguejam exibem um padrão atípico de atividade no cérebro mesmo quando estão apenas lendo ou escutando sons linguísticos, o que sugere que a gagueira se deve a problemas mais fundamentais que ocorrem durante o processamento da fala e da linguagem, e não apenas durante sua produção (Kate Watkins, Ph.D., abstract 563.19, v. resumo no PDF em anexo).
As pessoas processam palavras pronunciadas em seu sotaque nativo de uma forma diferente daquela que fazem com palavras pronunciadas em outros sotaques, o que pode explicar as dificuldades de comunicação e os preconceitos enfrentados por pessoas que falam com um sotaque diferente do usual em um determinado meio social (Patricia Bestelmeyer, Ph.D., abstract 169.13, v. resumo no PDF em anexo).
Mulheres que gaguejam possuem em suas conexões cerebrais algumas particularidades que não estão presentes no cérebro de homens que gaguejam. Essa descoberta pode ajudar a explicar por que a prevalência da gagueira na população adulta é cerca de cinco vezes maior em homens do que em mulheres (Soo-Eun Chang, Ph.D., abstract 790.9, v. resumo no PDF em anexo).
Os neurônios de pássaros canoros têm sensibilidade aguçada a sons comunicativos e respondem seletivamente a eles, mesmo quando estes sons estão misturados a um ruído de fundo. Essa descoberta ajuda a explicar como as pessoas conseguem focar sua atenção em uma conversação mesmo estando em uma sala barulhenta, um fenômeno conhecido como “cocktail party effect” (Frederic Theunissen, Ph.D., abstract 275.17, v. resumo no PDF em anexo).
“A comunicação é o nosso meio de expressar pensamentos, sentimentos e emoções – e as pesquisas de hoje não só fornecem valiosas informações sobre como o cérebro lida com esta tarefa vital, mas também nos dão um nível de compreensão mais adequado para diagnosticar e tratar melhor os problemas de comunicação”, disse o moderador da conferência de imprensa promovida pela SfN, Steven L. Small (M.D, Ph.D da Universidade de Chicago), especialista em neurociência da linguagem.
Nota dos organizadores do congresso: As pesquisas apresentadas durante o Neuroscience 2010 foram financiadas tanto por órgãos públicos – como o National Institute of Health dos EUA –, quanto por organizações privadas e filantrópicas.
